Duas pessoas podem juntas fazer viagens diferentes. Estranho dizer isso, mas é uma verdade. Viajar é uma experiência única e particular. Por isso, mesmo que você viaje acompanhado de outra pessoa, eu garanto que cada um está fazendo uma viagem diferente.
Nenhuma foto, livro, revista, vídeo ou relato traduz o que a gente vê em cada viagem que faz. Conhecer um novo lugar envolve todos os nossos sentidos.
O olfato
O cheiro (bom, ruim ou estranho) pode agradar a você e me deixar enjoada.
Andar de metro em Paris sufocado pelo odor ocasionado pela falta de desodorante nos suvacos alheios é de embrulhar o estômago. Ainda me sinto extremamente ofendida e revoltada com as pessoas que se atrevem a circular fedendo assim e desrespeitando meu olfato sensível.
Em contrapartida, caminhar por um campo florido com o aroma delicioso das plantações é uma delícia e sem dúvidas sempre que lembrar da paisagem, o cheiro virá junto à sua mente, e vice-versa.
A visão
A forma como a luz do Sol reflete, a neve cai ou os pingos de chuva atingem o chão será diferente a cada vez que você estiver em um mesmo lugar. A combinação de cores, a arquitetura, as vestimentas, a expressão e a aparência das pessoas, tudo isso junto forma uma lembrança que fica marcada em sua mente e que dificilmente você conseguirá reproduzir de algum jeito.
A audição
A mistura de vozes, música, ruídos ou o enebriante silêncio que paira no ar também marca muito a visita a um ponto turístico.
Estar no metro de Paris ao som de acordeão torna o simples fato de se deslocar, uma experiência cultural e encantadora, sobretudo para que vivencia pela primeira vez. Eu continuo gostando sempre que ouço, menos quando está muito alto e do meu lado.
Caminhar pela Ponte Carlos em Praga ao som dos músicos locais, transforma a experiência ainda mais estonteante, combinando a arte presente na arquitetura e nas esculturas, com a música tocada e a incrível beleza do Sol refletindo no Rio Moldava com os pássaros sobrevoando a área. É de tirar o fôlego!
O paladar
O sabor dos quitutes e pratos locais podem ser inexplicavelmente deliciosos para uns e intragáveis para outros. Eu por exemplo adoro sorvetes doces, já meu noivo gosta dos sabores azedinhos.
Imagine que paraíso comer camarões gigantes e deliciosamente preparadas na manteiga de garrafa por um preço baratinho. Para mim é o paraíso, mas tenho amigos que detestam camarão e diante desta opção iriam se limitar a bife com batata frita.
Minha irmã veio para a Europa no mês passado e só queria saber de uma bebida chamada Ginger Ale. Eu provei e achei o gosto bem esquisito.
O tato
Este quinto sentido para mim é o mais complicado. Eu tenho uma vontade quase incontrolável de tocar os monumentos, as paredes e as obras. Quando posso toco nos prédios, nas paredes, nas estátuas. Como não acariciar o Coliseu para sentir a sua composição, ou encostar nas pilastras da Torre Eiffel, ou mesmo pegar um punhado da areia da praia na primeira vez em que fui ao Mar do Norte na Bélgica, ou as pedrinhas da praia de Nice no mar mediterrâneo?
Acredito de verdade que se fosse permitido tocar, teríamos uma percepção bem mais completa das obras de arte. Mas é claro que eu entendo que por motivo de preservação da obra e de segurança, não é permitido.
Obviamente, isso não faz a minha mão parar de coçar de vontade de mexer. Sem falar na minha terrível mania de tocar em tudo nas lojas de lembrancinhas para só depois ver que tinha uma placa proibindo esta prática. Ainda vou ter problemas sérios com isso...
Enfim,,, este trecho do poema "A melhor maneira de viajar é sentir" de Álvaro Campos (heterônimo de Fernando Pessoa) traduz o que tentei explicar nesta postagem para vocês.
Obs: Clique na imagem para aumentá-la e ler o poema com mais facilidade.






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